Realidade Imposta Pela Pandemia Pode Gerar Transtornos Mentais e Agravar Quadros já Existentes


Nunca se falou tanto em saúde mental. Antes mesmo de a pandemia se tornar parte da vida de praticamente toda a população do planeta, os números já eram alarmantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a ansiedade afeta 18,6 milhões de brasileiros e os transtornos mentais são responsáveis por mais de um terço do número de pessoas incapacitadas nas Américas. A Covid-19 fez não só com que esses transtornos se agravassem, mas também trouxe novas questões. Na tentativa de entender o contexto, especialistas criaram termos para dar nome aos sentimentos e ao estado psíquico que muita gente tem vivenciado.

Fadiga pandêmica, por exemplo, é a terminologia adotada pela OMS para designar o cansaço e o esgotamento físico e mental provocados pela pandemia. As restrições na vida social, financeira, entre outras dimensões, aumentam a falta de perspectiva e diminuem o poder de planejamento. Nada disso é, em si, um sério transtorno psíquico, mas esse tipo de sofrimento prolongado pode, segundo a organização, gerar ansiedade, depressão e insônia, mesmo em quem não apresentava qualquer tendência prévia.

Outra expressão que ganhou popularidade foi o definhamento (“languishing”, no termo original, em inglês), criada pelo psicólogo inglês Adam Grant. Os sintomas mais comuns são: estagnação, falta de propósito e de motivação, dificuldade de concentração e queda de rendimento no trabalho. Para ele, essa falta de alegria e de objetivos, ou seja, o vazio, está entre o bem-estar e a depressão. Em outras palavras, não há uma doença mental instalada, mas tampouco indicativos de boa saúde. Dialogando com o conceito de fadiga pandêmica, o definhamento também é um sinal de alerta, pois pode se transformar em depressão e ansiedade no futuro, de acordo com o criador.


DICAS PARA SUA SAÚDE


· Tenha pequenos momentos de lazer, que te tragam satisfação;

· Cuidado com o uso de substâncias tóxicas, como álcool, tabaco e outras drogas;

· Separe o lazer do trabalho e não fique online o tempo inteiro;

· Cuide do sono e escolha ambientes escuros para dormir;

· Identificar os sinais de que saúde mental não vai bem é o primeiro (e fundamental) passo. Alguns deles são: perda de prazer em atividades que você gosta, alterações no sono e no apetite e grande dificuldade de concentração;

· Procure ajuda médica sempre que necessário, e não tente resolver tudo sozinho(a). Todo sofrimento pode e deve ser aliviado;

· Se você não conseguir criar vínculo com o primeiro psicólogo que te atender, não desista. O vínculo é importante para o tratamento, e é possível conseguir isso com outro profissional e/ou outra abordagem terapêutica;

· Por outro lado, trabalhe as expectativas: não é sempre que o paciente sai sorrindo da sessão, e não há fórmula mágica e rápida, pois se mexe com feridas emocionais profundas. Valorize o processo;

· Se for necessário fazer uso de medicação, seja paciente, pois o resultado não é imediato, e pode ser que você não se adapte ao primeiro remédio. Comunique isso ao seu médico e persista. Se possível, alie o medicamento à terapia;

· O paciente precisa ser ativo no processo de melhora. Ele(a) e os profissionais de saúde são uma equipe.


Fonte: Gov.br